Tuesday, April 05, 2005

“Europa antes e depois de Napoleão”

Napoleão Bonaparte foi instituído no poder, graças ao golpe do 18 Brumário, numa sociedade atormentada, onde uma burguesia encontrava-se insatisfeita com os jacobinos e ameaçada externamente pela aliança entre as monarquias tradicionais. Era o fim do processo revolucionário na França, mas, o início de um novo período na História mundial. Recém-chegado ao poder, Napoleão realizou reformas em diversas áreas: criou o Banco da França e o Franco, assinou uma Concordata com a Igreja Católica, reorganizou o sistema educacional formando os Liceus, além de ter estabelecido um código civil que serviu de inspiração para inúmeras sociedades que o precederam.

Com forte apoio popular, em 1804, Napoleão consagrou-se imperador através de um plebiscito, e a partir de então, intensificou uma vasta expansão territorial, sob o pretexto de "libertar" os povos oprimidos pelas tiranias conservadoras. Porém, como P. Johnson analisou, essas "guerras de libertação", por mais que fossem sustentadas pela ideologia iluminista e houvessem o reconhecimento da Igreja Católica, eram na verdade movidas sobretudo pelo fervor imperialista de Napoleão, que encontrava nesse método sua forma de legitimar-se como Imperador. Em todo caso, o seu incrível sucesso militar modificou profundamente a posterioridade. A começar pelo exército formado por cidadões comuns incorporados pela levée en masse, a aparição do conceito de guerra total, o fomento ao nacionalismo, e o surgimento da tradição do "homem providencial", em outras palavras, o líder carismático. Alem disso, mesmo após sua derrota em 1815, sua influência fez-se presente: a Europa conheceu uma depressão econômica devido às guerras, o antigo feudalismo foi formalmente abolido, e as fronteiras nacionais fortaleceram-se em geral juntamente com os Estados monárquicos, que se agruparam através do Congresso de Viena.

P. Johnson reconhece que os franceses teriam boas razões para admirar Napoleão, afinal de contas devem-lhe a unificação de um país que estava à beira da desintegração. No entanto, o autor lembra que todas as reformas e todos os avanços alcançados na França foram obtidos de maneira mais estável e pacífica na Inglaterra e nos países escandinavos, por exemplo. Colocando, desta forma, em questão a herança napoleônica P. Johnson sugere ainda que o legado de Napoleão estaria na origem dos regimes totalitários que marcaram o século XX, fazendo-nos uma séria advertência para o século XXI.

2 Comments:

Blogger professor said...

Leila,

No inicio ficou apenas um resumo das medidas napoleônicas e menos um impacto histórico deste lider.

Ademais, gostei muito do balanço ponderado da conclusão baseado no Paul Johnson, mas é sempre bom lembrar que é importante numa resenha a SUA opinião. Você concorda com o Paul Johnson ?

3:59 PM  
Blogger professor said...

O segundo parágrafo é o melhor de todos.

4:00 PM  

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